Doença Renal Crônica: Como Classificá-la?

A doença renal crônica (DRC) é definida por alterações da estrutura ou da função dos rins, presentes por pelo menos três meses, com implicações para a saúde. Uma taxa de filtração glomerular (TFG) persistentemente abaixo de 60 mL/min/1,73 m² ou marcadores de lesão renal, como albuminúria persistente e alterações estruturais, podem estabelecer o diagnóstico. Um exame isolado alterado não comprova, por si só, a cronicidade. [1,2]

Três Componentes: Causa, Filtração e Albuminúria

A classificação CGA combina três componentes:

  • C – Causa: identifica a origem da doença renal.

  • G – Categoria de TFG: indica o nível de filtração glomerular.

  • A – Categoria de albuminúria: avalia a presença de albumina na urina.

A causa orienta a investigação e o tratamento. As categorias G e A ajudam a estimar a gravidade e o risco.

A TFG costuma ser estimada por equações que utilizam creatinina, idade e sexo, sem coeficiente de raça. A combinação com cistatina C pode melhorar a precisão quando disponível e indicada.

Categorias de Filtração Glomerular

A taxa de filtração glomerular é um dos principais indicadores da função renal.

CategoriaTFG (mL/min/1,73 m²)DescriçãoG1≥ 90Normal ou elevadaG260 a 89Levemente reduzidaG3a45 a 59Leve a moderadamente reduzidaG3b30 a 44Moderada a gravemente reduzidaG415 a 29Gravemente reduzidaG5< 15Falência renal

Categorias de Albuminúria

A albuminúria corresponde à presença de albumina na urina e é um importante marcador de lesão renal.

CategoriaRAC urinária (mg/g)DescriçãoA1< 30Normal a levemente aumentadaA230 a 300Moderadamente aumentadaA3> 300Gravemente aumentada

RAC: relação albumina/creatinina, medida em amostra de urina.

G1 ou G2, sem outros marcadores de lesão renal, não definem doença renal crônica.

Fonte das tabelas: KDIGO 2024.

Por que a Classificação Importa?

A redução da TFG e o aumento da albuminúria estão associados a maior risco de progressão da doença renal e de eventos cardiovasculares.

Por isso, pessoas com a mesma TFG podem apresentar riscos diferentes.

A classificação auxilia na definição do tratamento e da frequência de acompanhamento, considerando também a causa da doença, a evolução dos exames e as condições clínicas de cada paciente.

Guia de Monitoramento por Ano

Os números abaixo indicam uma frequência orientativa de avaliação da TFG e da albuminúria por ano, e não um número obrigatório de consultas.

TFGCategoriaA1A2A3≥ 90G11*1360 a 89G21*1345 a 59G3a12330 a 44G3b23315 a 29G4334+< 15G54+4+4+

Interpretação dos níveis de risco:

  • Verde: baixo risco.

  • Amarelo: risco moderadamente aumentado.

  • Laranja: alto risco.

  • Vermelho e vermelho mais intenso: risco muito alto.

  • 4+: quatro ou mais avaliações anuais.

G1-A1 e G2-A1: sem outro marcador de lesão renal, não há DRC; o rastreamento depende do risco individual.

Adaptação da Figura 13 do KDIGO 2024.

Acompanhamento da Doença Renal Crônica

Na doença renal crônica, a TFG e a albuminúria devem ser avaliadas pelo menos anualmente, com maior frequência quando o risco for elevado e os resultados puderem modificar a conduta.

A categoria G5 não determina, isoladamente, o início da diálise. Essa decisão depende da avaliação clínica e das complicações apresentadas pelo paciente.

O acompanhamento nefrológico permite monitorar a evolução da função renal, identificar alterações importantes e orientar o tratamento de forma individualizada.

Referências Bibliográficas

1. KDIGO CKD Work Group. KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney International. 2024;105(4S).

2. National Kidney Foundation. How to classify CKD.

3. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Estimated Glomerular Filtration Rate Calculators.

Fontes consultadas em 28 de outubro de 2026. Material educativo voltado à classificação em adultos.

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