Cálculos renais: causas e prevenção

Investigar a origem para reduzir novas crises e complicações

Os cálculos renais, também chamados pedras nos rins ou nefrolitíase, são estruturas sólidas formadas pela cristalização de substâncias presentes na urina. Podem permanecer nos rins sem sintomas ou migrar para o ureter, o canal que leva a urina até a bexiga, causando obstrução e dor intensa. [1,2]

Sintomas e Possíveis Complicações

A cólica renal costuma provocar dor forte na região lombar ou no lado do abdome, às vezes irradiada para a virilha. Pode haver sangue na urina, náuseas e vômitos.

O tamanho, a localização e o grau de obstrução influenciam os sintomas e a escolha do tratamento.

A obstrução pode prejudicar a função dos rins. Quando associada à infecção, pode evoluir com sepse e constituir uma emergência. Além de antibióticos, pode ser necessário drenar a urina com urgência.

Febre ou calafrios durante uma crise, redução importante da urina, vômitos persistentes ou dor sem controle exigem atendimento imediato. Pessoas com rim único merecem avaliação especialmente rápida.

Por que os Cálculos se Formam?

O risco depende da composição e do volume da urina, do pH urinário, da alimentação, de fatores hereditários e de algumas doenças ou medicamentos.

A hipercalciúria, que corresponde ao excesso de cálcio na urina, é uma alteração frequente. Outras incluem excesso de oxalato ou ácido úrico, pouco citrato e baixo volume urinário.

Os tipos mais comuns contêm oxalato ou fosfato de cálcio. Também existem:

  • Cálculos de ácido úrico: favorecidos especialmente por urina persistentemente ácida.

  • Cálculos de estruvita: relacionados a determinadas infecções.

  • Cálculos de cistina: associados a uma condição hereditária.

Nem toda infecção urinária produz cálculos.

Por que Investigar Após a Crise?

Eliminar ou retirar uma pedra não corrige necessariamente a causa de sua formação. Novos episódios podem ocorrer, e o risco varia conforme a doença de base, os hábitos e o acompanhamento.

Investigar permite orientar medidas específicas, em vez de aplicar a mesma dieta ou medicamento a todas as pessoas.

O tratamento da crise pode incluir analgesia, observação ou procedimentos urológicos. A indicação depende da possibilidade de eliminação espontânea, da obstrução, da infecção e da função renal.

Como Prevenir Novos Cálculos

Hidratação

A hidratação é uma das principais medidas preventivas. A diretriz europeia recomenda ingerir líquidos, preferencialmente água, em quantidade suficiente para produzir mais de 2,5 litros de urina por dia.

Beber apenas 2 litros pode não atingir essa meta, sobretudo em situações de calor ou suor intenso. Restrições de líquidos devem ser respeitadas e a meta individualizada.

Alimentação Equilibrada

Reduza o excesso de sal, evite exageros de proteína animal e mantenha uma alimentação equilibrada.

O cálcio dos alimentos não deve ser retirado indiscriminadamente. Em muitos adultos, recomenda-se manter cerca de 1.000 a 1.200 mg por dia.

A restrição de oxalato deve considerar os exames e o tipo de cálculo.

Vitaminas e Suplementos

Evite megadoses de vitamina C e a automedicação com suplementos.

A vitamina D não deve ser proibida de forma geral. Quando houver indicação de reposição, a dose e a necessidade de monitorar o cálcio no sangue ou na urina devem ser avaliadas.

Atividade Física

A atividade física regular e a manutenção do peso adequado fazem parte do cuidado, com reposição das perdas de líquidos pelo suor.

O que é a Investigação Metabólica?

A avaliação inicial considera história clínica e familiar, alimentação, medicamentos, exames de sangue e urina e exames de imagem.

Sempre que possível, uma pedra eliminada ou retirada deve ser analisada.

Em pacientes selecionados, especialmente aqueles com recorrência ou alto risco, a coleta de urina de 24 horas ajuda a identificar alterações tratáveis.

Conforme os resultados, podem ser indicados tratamentos específicos, como citrato, medicamentos para reduzir a calciúria ou outras intervenções.

A prescrição e o acompanhamento são individualizados.

Não é recomendado forçar grande ingestão de água durante uma cólica renal para tentar expulsar o cálculo.

Referências Bibliográficas

  1. European Association of Urology. EAU Guidelines on Urolithiasis. 2026. Chapter: Guidelines.

  2. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da Nefrolitíase. J Bras Nefrol. 2025;47(2). DOI: 10.1590/2175-8239-JBN-2024-0189pt.

  3. European Association of Urology. EAU Guidelines on Urolithiasis. 2026. Chapter: Metabolic evaluation and recurrence prevention.

Fontes consultadas em 28 de outubro de 2026. Material educativo com orientações gerais para adultos.

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