Infecção urinária de repetição na mulher
Entender os episódios para prevenir novas infecções
A infecção do trato urinário (ITU) de repetição costuma ser definida pela ocorrência de pelo menos dois episódios em seis meses ou três em um ano. Na mulher, a apresentação mais comum é a cistite, uma infecção da bexiga que pode comprometer a qualidade de vida, o trabalho e as relações pessoais. [1]
Por que a infecção volta?
Muitos episódios decorrem de reinfecção por bactérias da própria flora intestinal que colonizam a região próxima à uretra e chegam à bexiga. A Escherichia coli é o agente mais frequente.
A persistência bacteriana em reservatórios, inclusive no revestimento da bexiga, também é um mecanismo estudado.
Ter recorrências não significa, por si só, falta de higiene.
Quem tem maior risco?
Antes da menopausa:
Atividade sexual;
Uso de espermicidas;
Novo parceiro;
História familiar;
Episódios de infecção na infância.
Depois da menopausa:
Deficiência de estrogênio;
Incontinência urinária;
Prolapso da bexiga (cistocele);
Esvaziamento incompleto da bexiga.
Cateter urinário e limitações funcionais também exigem atenção.
Como confirmar o diagnóstico?
Ardor ao urinar, urgência, aumento da frequência urinária e desconforto na parte inferior do abdome são sintomas comuns de cistite.
Em quadros recorrentes, a urocultura ajuda a confirmar a infecção e a orientar a escolha do antibiótico.
Nem toda dor ou ardor urinário é causado por bactéria.
Ultrassom, tomografia e cistoscopia não são necessários de rotina em todas as mulheres. A investigação é direcionada quando há suspeita de cálculo, obstrução ou outras alterações, ou quando a evolução é atípica.
Cultura positiva sem sintomas é diferente
A presença de bactérias na urina sem sintomas é chamada bacteriúria assintomática e, em geral, não deve ser tratada com antibiótico.
Gestação e determinados procedimentos urológicos com trauma da mucosa são exceções importantes.
Como prevenir novos episódios?
A prevenção deve considerar os fatores de risco de cada mulher.
Aumentar a ingestão de água pode ajudar quem bebe pouco, respeitando eventuais restrições de líquidos.
Evitar espermicidas pode fazer parte das medidas preventivas.
Avaliar o esvaziamento da bexiga também pode contribuir para o cuidado.
Medidas de higiene excessivas e duchas vaginais não são uma solução para a recorrência.
Opções de prevenção
Na peri e pós-menopausa, o estrogênio vaginal pode ser considerado após avaliação clínica. Ele atua localmente e não equivale à reposição hormonal sistêmica.
Em mulheres selecionadas, a metenamina pode ser uma alternativa à profilaxia diária com antibióticos, após tratar o episódio ativo e avaliar contraindicações, função renal e disponibilidade.
Quando necessário, o médico pode propor antibiótico preventivo em baixa dose, de forma contínua ou associado a um gatilho, como a relação sexual.
A escolha depende das culturas, do perfil clínico e do risco de resistência.
Produtos como cranberry não substituem essa avaliação e têm resultados variáveis entre estudos.
Quando procurar atendimento rapidamente?
Febre, calafrios, dor lombar ou no lado das costas, náuseas e vômitos podem indicar infecção nos rins.
Esses sinais, a piora importante do estado geral ou sintomas urinários durante a gestação justificam avaliação sem demora.
Evite repetir antibióticos por conta própria.
Referências gerais
European Association of Urology. EAU Guidelines on Urological Infections. 2026. Seção: Recurrent cystitis.
Gupta K, Trautner BW. Diagnosis and management of recurrent urinary tract infections in non-pregnant women. BMJ. 2013;346. doi:10.1136/bmj.f3140.
National Institute for Health and Care Excellence. Urinary tract infection (recurrent): antimicrobial prescribing. NG112. 2018; atualizado em 2024.
Nicolle LE, et al. Clinical Practice Guideline for the Management of Asymptomatic Bacteriuria: 2019 Update by IDSA. Clinical Infectious Diseases. 2019;68(10).
National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Symptoms & Causes of Bladder Infection in Adults.
Fontes consultadas em 28 de outubro de 2026.
Material educativo. A conduta deve ser individualizada.
