Ingestão de água e cálculo renal

Hidratação na prevenção de novos episódios A formação de cálculos renais depende de fatores como composição da urina, predisposição individual e hábitos alimentares. Quando o volume urinário é baixo, as substâncias capazes de formar cristais ficam mais concentradas. Aumentar a ingestão de líquidos ajuda a diluir a urina e a reduzir a supersaturação, dificultando a formação e o crescimento dos cálculos.

A formação de cálculos renais depende de fatores como a composição da urina, a predisposição individual e os hábitos alimentares. Quando o volume urinário é baixo, as substâncias capazes de formar cristais ficam mais concentradas. Aumentar a ingestão de líquidos ajuda a diluir a urina e a reduzir a supersaturação, dificultando a formação e o crescimento dos cálculos.

O estudo de Borghi e colaboradores

Publicado em 1996 no Journal of Urology, o estudo acompanhou 199 pacientes após um primeiro episódio de cálculo de cálcio idiopático. Os participantes foram divididos em dois grupos: 99 receberam orientação para aumentar a ingestão de água e produzir pelo menos 2 litros de urina por dia; os outros 100 permaneceram sem essa intervenção. O acompanhamento durou cinco anos.

No grupo que aumentou a ingestão de água, 12 de 99 pacientes (12,1%) apresentaram recorrência, em comparação com 27 de 100 pacientes (27%) no grupo de controle. Isso corresponde a uma redução absoluta de aproximadamente 15 pontos percentuais e a uma redução relativa de cerca de 55% no risco de recorrência.

Entre os participantes que apresentaram recorrência, o intervalo médio até o novo episódio foi maior no grupo que aumentou a ingestão de água: 38,7 meses, contra 25,1 meses no grupo de controle.

Os resultados apoiam a hidratação como medida preventiva, embora ela não elimine completamente o risco de novos cálculos.

Da evidência à prática

A meta estudada em 1996 foi produzir pelo menos 2 litros de urina por dia. Atualmente, a diretriz da Associação Europeia de Urologia recomenda manter uma ingestão de líquidos, preferencialmente água, suficiente para obter um volume urinário superior a 2,5 litros em 24 horas.

A quantidade de líquidos a ingerir deve ser ajustada às necessidades e às perdas de cada pessoa.

Como interpretar os resultados

O estudo demonstrou menor recorrência de cálculos renais entre os participantes que aumentaram a ingestão de água. Entretanto, os resultados se referem à população e ao período avaliados, não significando que todas as pessoas terão a mesma redução de risco.

Como manter a hidratação

Distribuir a ingestão de líquidos ao longo do dia facilita a manutenção de um volume urinário adequado. Em dias quentes e durante a atividade física, as perdas de líquidos pelo suor aumentam e podem exigir reposição adicional.

É importante lembrar que beber 2,5 litros de água não equivale necessariamente a produzir 2,5 litros de urina.

A prevenção também deve considerar a alimentação, a composição do cálculo e a avaliação metabólica, quando indicada. A hidratação é parte do cuidado e pode precisar ser associada a outras medidas dietéticas ou medicamentosas, conforme o perfil de risco de cada paciente.

Pessoas com restrição de líquidos prescrita, insuficiência cardíaca ou doença renal avançada precisam de orientação individualizada antes de aumentar a ingestão de água.

Importante: aumentar a ingestão de água para prevenir cálculos não substitui a avaliação médica e o tratamento de uma crise de cólica renal.

Referências bibliográficas

1. Borghi L, Meschi T, Amato F, Briganti A, Novarini A, Giannini A. Urinary volume, water and recurrences in idiopathic calcium nephrolithiasis: a 5-year randomized prospective study. Journal of Urology. 1996;155(3):839–843. DOI: 10.1016/S0022-5347(01)66321-3.

2. European Association of Urology. EAU Guidelines on Urolithiasis. 2026. Metabolic evaluation and recurrence prevention.

3. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Brazilian Guidelines on evaluation and clinical management of Nephrolithiasis: Brazilian Society of Nephrology. Jornal Brasileiro de Nefrologia. 2025;47(2). DOI: 10.1590/2175-8239-JBN-2024-0189en.

Material educativo. Fontes consultadas em 28 de outubro de 2026.

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